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É hora de demonstrar bom senso em relação ao Paraguai, diz Sciarra

 
Em meio às atividades da Rio+20, o Brasil foi surpreendido com o impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo. O que chamou atenção neste processo foi a rapidez com que ele ocorreu. Esse fato gerou interpretações do fato como um golpe político. A primeira reação internacional foi de indignação, pois tudo sinalizava uma ruptura do processo democrático, uma vez que o ex-presidente teve apenas duas horas para defesa.
 
As notícias seguintes também não foram menos inusitadas: o Presidente Lugo foi destituído pelo Congresso através de procedimento legalmente previsto naquele país. Ele teve apenas um voto a seu favor e 73 contra na Câmara dos Deputados e 4 entre os senadores, sendo 39 contra.  Em seguida, a Suprema Corte daquele País, a partir de recurso de Lugo, atestou que todo o processo seguiu rigorosamente o que dispõe a Constituição paraguaia. O Tribunal Superior Eleitoral paraguaio também reconheceu a mudança de presidentes. Ainda na mesma noite o vice-presidente, Federico Franco, foi empossado como novo presidente do Paraguai.
 
Para o deputado Eduardo Sciarra (PSD), o Brasil deve tratar a situação com bom senso. “É claro que nos preocupamos com a consolidação da democracia no Paraguai. A rapidez dos fatos impressionou, mas a destituição foi feita dentro das leis paraguaias, foi uma decisão de mais de 90% do Congresso. Dessa forma, devemos respeitar as instituições paraguaias”, afirmou.
 
Na opinião do deputado, o governo brasileiro pode não concordar com o procedimento utilizado para destituir o presidente, mas não deve se julgar no direito de intervir nos assuntos internos do país.
 
“Temos uma série de interesses em comum com o Paraguai, como comércio variado, a hidrelétrica de Itaipu e uma comunidade de produtores brasileiros residentes naquele país. Não devemos sequer pensar em impor sanções econômicas ao Paraguai, pois estaríamos prejudicando o povo paraguaio. As relações com o Paraguai são baseadas em contratos e acordos aprovados nos parlamentos dos dois países e devem ser cumpridos integralmente”, acrescentou Sciarra.
 
Por essa razão, o deputado paranaense considera como sinal negativo a declaração do governo paraguaio de reduzir a venda ao Brasil do excedente da energia que se produz em Itaipu. Outra má impressão que fica foi a invasão ocorrida, logo no primeiro dia, à fazenda de brasileiros em Capibary.
 
O deputado Sciarra esteve nesta terça-feira (26) com deputados e senadores paraguaios em reuniões no Congresso Nacional. Os parlamentares do Paraguai vieram ao Brasil para expor as razões da votação do impeachment e pedir solidariedade e compreensão ao momento  que estão vivendo.